Tempos Modernos- Administração Cientifica

Artigo HSM - Organizações, gerações e os ritos de passagem

Organizações, gerações e os ritos de passagem


Como as empresas atuam internamente com as diversas gerações, como os baby boomer, geração X e agora a Geração Y?

As organizações públicas e privadas vivem em constante mutação impactadas fortemente pelo contínuo processo de transição geracional. Um processo nada estanque, muito pelo contrário, cheio de nuances e cores. Segundo um estudo da Sociedade Norte-Americana para a Formação e Desenvolvimento, nos próximos 20 anos, os EUA terão 76 milhões de pessoas a se aposentar e 46 milhões de pessoas a ingressar no mercado de trabalho.

Neste estudo, a geração que hoje tem entre 45 e 62 anos tem a maior parte dos cargos executivos no topo das organizações ou são líderes políticos.
Nos EUA, foram rotulados como baby boomer, quem têm como traço marcante uma liderança imbuída de uma visão, missão, princípios e valores bem definidos, e frequentemente relutam em avançar sem um plano de ação bem claro e definido. Além disto, pretendem deixar sua marca na história, por meio de um legado de realizações, melhorias e mudanças.

Enfim, tudo em perfeita consonância com os princípios amplamente vividos ao final dos anos 60 e início dos anos 70, mundialmente vivenciados por inspiração do movimento hippie, do rock and roll e dos vários movimentos estudantis em todo o mundo. São os adolescentes procurando realizar seus sonhos por um mundo melhor e mais justo segundo uma ótica própria de certo e errado, justo e injusto.

Carregam ainda para a fase adulta a falta de disciplina, tão necessária para acompanhar as transições até o fim, ou ainda, eles se mostram intolerantes à resistência natural ligada aos processos de mudança. Têm tendência ao estilo igualitário de liderança assim como ao estilo autoritário.

Frequentemente, a liderança se inicia de forma igualitária, compartilhando conceitos e ideias e ampliando as discussões. Mas como decorrência da dificuldade em obter o consenso, que traz impacto nos prazos, surge a liderança autocrática que põe por terra a fase anterior, criando frustrações e repercussões nas pessoas que participaram do processo, para que ao final, uma decisão centralizada seja tomada. Tudo em nome da falta de disciplina, do sentido de urgência e da visão de missão ligeiramente messiânica que os impulsionam e validam esta mudança atitudinal.

A geração seguinte, chamada de "geração x", daqueles entre os 25 e os 45 anos de idade, segundo o estudo daquela entidade, ainda não são tão presentes no topo das organizações públicas e privadas com exceção nas indústrias de alta tecnologia. São aqueles que muitas vezes são vistos como empreendedores: têm ideias, conseguem o financiamento, fazem a "coisa acontecer", dão start-up ao processo e passam para outro projeto.

São altamente pragmáticos, orientados para ação, pouco orientados às pessoas, muito afinados com a tecnologia que lhes permite criar, inovar e encontrar soluções práticas. Autoconfiantes, competentes, aprendem muito rápido e são oportunistas. Esta última característica é o primeiro ponto de atrito quando convivem com os baby boomer, que os tem por sem princípios. Dão muito valor às relações familiares e procuram um relativo equilíbrio na relação vida-trabalho.

A lealdade com a organização não é seu forte desde que ela deixe de responder a seus anseios, sendo assim, não constroem longas carreiras como os baby boomer preferindo recompensas no curto prazo. O pragmatismo faz com que eles meçam seu sucesso pelas realizações mais recentes deixando para um segundo plano de importância as contribuições mais amplas e compartilhadas. Muitas vezes desprovidos de polidez, entram frequentemente em discussões sobre mudanças sutis de liderança e têm dificuldade em estabelecer redes de relacionamento, o que lhes dificulta enormemente influenciar as organizações e realizar as mudanças necessárias. Tudo tendo como fulcro maior o pragmatismo, a visão de curto prazo, a confiança em si mesmo e um relativo desprezo ao coletivo.

Parece inevitável que o rito de passagem do controle das organizações seja turbulento. De um lado, os baby boomer e sua dificuldade em delegar e os "geração x" que não pedem, não são receptivos a compartilhar. O resultado é um conflito entre estas duas gerações: os boomer criticam os mais jovens por não respeitarem suas visões, por atropelar toda uma história, os "geração x" acusam os mais velhos de serem autocratas em pele de liberais.

É a encarnação da corrida em equipe com a passagem do bastão: o primeiro corredor hesita em passar o bastão e o próximo corredor quer arrancar da mão do primeiro à força e fazer a parte dele o mais rápido possível. A geração que está agora se preparando para liderar o mercado é a "geração y" ou "geração milênio", entre os 5 e 25 anos de idade. São tecnologicamente mais avançados em relação às gerações anteriores, afinal eles já nasceram em um mundo diferente, muito mais ágil, sofisticado e ao mesmo tempo mais acessível. Podem ser também caracterizados por serem "mudos" e ao mesmo tempo "multitarefas": MP4, televisão, computador com várias páginas abertas, MSN, Orkut, Facebook etc. Por estas características e por terem pai e mãe cada vez mais ausentes, seja pela necessidade de ambos terem suas próprias carreiras, seja pela presença cada vez mais forte na sociedade de pais separados, podem estar mais abertos e ciosos de uma supervisão mais próxima. Não podemos perder de vista que eles foram “formatados” para receber muitos estímulos simultaneamente. Este é o desafio!

E por viverem seus mundos de maneira isolada, tendem a ser pouco receptivos às criticas e baixa resiliência ao se depararem com os fracassos. Podemos observar que as gerações X e Y se assemelham mais em várias sociedades e regiões por força da tecnologia. O aumento do ritmo da tecnologia fez acelerar a sociedade e criou um ambiente de trabalho mais complexo, sujeito às rápidas mudanças. O estresse gerado para dar conta desta dinâmica pode agravar ainda mais os conflitos inter-geracionais.

Fácil observar que não abordar estas questões de frente poderá condenar o futuro das organizações, deixando-as ao sabor do vento e assim perder os valores e vantagem competitiva desenvolvida ao longo do tempo. Fácil perceber os hiatos possíveis, a falta de um rito de passagem de poder, a falta de conexões, de redes de informação e de relacionamento. Existe ainda a possibilidade de não capitalizarmos o que cada geração tem de melhor e assim sermos menos aptos a responder aos desafios de um local de trabalho, e de um mundo, cada vez mais rápido, caótico e global.

Cabem àqueles que estão no topo das organizações públicas e privadas olhar verticalmente identificar os grupos, gerações ou tribos, como queira chamar, identificar suas características, atributos e necessidades para que possam assumir suas posições no futuro e prover-lhes treinamento, capacitação de forma estratégica e, sobretudo, um tutor. Cada um de nós deve procurar alguém para aconselhar, ajudar a superar suas dificuldades, ajudar a ampliar suas redes de contato, a trabalhar em conjunto, a aceitar críticas, ensinar a aceitar e aprender com os fracassos. E assim uma grande oportunidade surgirá àqueles que devem iniciar o rito de passagem do bastão e àqueles que fazem por merecer recebê-lo: ensinar a aprender.

É nossa função, enfim, como líderes, criar líderes porque sem as pessoas, velhas e jovens, nada existe!

Valmir Mondejar (Consultor empresarial na revisão de processos, na reestruturação organizacional das áreas comercial, marketing e no desenvolvimento industrial).

HSM Online
08/09/2010

RH - Visão da profa. Betania Tanure - FDC


Artigo Época Negócios

O novo que surge do velho

Descobrir regras para fazer rearranjos de coisas já existentes é a tarefa que a disciplina da inovação sistemática se propõe

Por Clemente Nobrega*
Ilustração_Ricardo Actus

Inovação depende de acesso a uma base de conhecimento acumulado. Uma ideia abre caminho para outra, para outra e outra. Esse processo gera mudança em grande escala na ciência, na economia e na cultura e é o tema de um livro que está repercutindo nos meios empresariais: The Nature of Technology – What It Is and How It Evolves, de Brian Arthur, especialista em inovação. Implicação disso (não tratada explicitamente no livro): se o novo vem sempre do conhecido, poderíamos “fabricar” inovação se houvesse um método para recombinar as ideias existentes na base de conhecimento. Isso está acontecendo.

Descobrir regras para fazer rearranjos criativos de forma consciente e deliberada é a tarefa que a nascente disciplina da inovação sistemática se propõe realizar. Olha só: há 10 mil anos, o PIB do mundo era zero. Então, uma tecnologia – a agricultura – habilitou o processo de geração de riqueza. A agricultura veio de elementos que já existiam na paisagem dos humanos da época (terra, plantas, animais) e possibilitou uma explosão de novos arranjos.

O PIB passou de zero ao que é hoje graças ao rearranjo de coisas existentes. O microchip é feito de sílica – areia da praia. O microchip é areia rearranjada. A matéria-prima desses “rearranjos” não são novos materiais, nem pessoas especiais, nem novos processos fabris. São processos mentais: ideias canalizadas na direção certa.

Como recriar um circo com menos custos e mais valor para o público?
O Cirque du Soleil chegou a uma fórmula inovadora


Entendendo as operações mentais que produziram soluções inovadoras no passado, podemos criar inovação. Exemplo: o best-seller A Estratégia do Oceano Azul diz o seguinte: quer inovar? Pegue os atributos das ofertas existentes e “tire, ponha, aumente, diminua” um ou mais deles. Assim, sua oferta estará num “oceano azul”, livre da competição entre as que têm os mesmos atributos. No caso do Cirque du Soleil, exemplo do livro, eliminaram-se animais e artistas famosos, introduziram-se música, dança, temas, estética apurada; diminuiu-se o número de picadeiros e aumentou-se o conforto da plateia. Mas como é que nós (que não somos gênios, como os fundadores do Cirque) poderíamos ter concebido algo parecido? O problema era: criar um circo com menos custo e mais valor que os existentes.

Uma contradição. Inovar é resolver contradições. Quem resolveu a contradição “cortar custo e aumentar valor” fez como? A base de conhecimento diz que problemas análogos foram resolvidos usando como direcionador um princípio que a inovação sistemática chama de atmosfera enriquecida.

Adicione elementos sensoriais que tornem o ambiente mais estimulante. Pode ser cor, música, odores, mas tem de enriquecer a atmosfera. É um dos princípios usados pela Southwest Airlines para criar um clima agradável em seus voos, por meio de jogos com os passageiros. É o que está por trás da chamada experiência de compra e o que o varejo usa em modelos como os da Starbucks e Victoria’s Secret. Um circo, lojas de café e de lingeries e uma linha aérea. Base de conhecimento compartilhado, certo?

* Clemente Nobrega é físico, escritor, consultor de empresas e autor do blog Ideias e Inovação no site de Época NEGÓCIOS

Artigo Prof. Cabrera - VOCE SA

Avaliação de mim mesmo?

O colunista Luiz Carlos Cabrera mostra como avaliar o seu progresso na carreira e na vida

Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group 02/09/2010

Crédito: Roberto Weigand / Baptistão
 - Crédito: Roberto Weigand / Baptistão

Como avalio o meu progresso nos últimos anos? Esta é uma pergunta que um mentor costuma receber e para a qual eu gostaria muito de poder ajudar você, leitor, a obter uma resposta. Para começar, é importante conceituarmos que existem três grandes áreas de progresso: a material, a intelectual e a espiritual. Começando a avaliação pelo mais concreto, que é o progresso material, basta definir um horizonte de tempo — os últimos cinco anos — e verificar o que você acumulou.

Aqui, contam os bens que adquiriu. É como se você estivesse preenchendo a declaração de Importo de Renda, mas com a lembrança de cada vitória e conquista. Já o progresso intelectual complica um pouco. Pense e responda: quantos livros você leu nos últimos dois anos? Nunca me esqueço que, ao terminar meu curso de extensão em administração, em 1975, na University of Southern California, em Los Angeles, nos Estados Unidos, tive o privilégio de ter o Peter Drucker como paraninfo. Ao final da palestra, eu perguntei o que deveria ler para ser um bom profissional na área de recursos humanos.

Avalie seu progresso intelectual, material e espiritual

Ele, do alto de sua sabedoria, respondeu: “Recomendo que você estude muito filosofia e história”. Só depois percebi a profundidade do conselho. Outra medida do progresso intelectual é avaliar se as pessoas à sua volta estão evoluindo. Não existe crescimento intelectual sem compartilhamento. Outra importante característica da sua evolução intelectual é o progresso de suas competências. Quanto maior o desafio, maior a competência desenvolvida. Esteja disponível.

Por fim, vamos falar do seu progresso espiritual. Comece pensando em como você encara os fatos da vida, como entende o seu papel na comunidade e suas atitudes perante o próximo. É uma avaliação difícil, eu sei, mas o mundo moderno está exigindo profissionais que sejam inteiros e íntegros. O primeiro significa estar progredindo material, intelectual e espiritualmente. Já ser íntegro quer dizer ser um só, em qualquer circunstância. Feita a avaliação, a próxima etapa é o plano de ação. Não deixe de fazê-lo. Com isso, certamente seu balanço de 2010 vai ser melhor do que o do ano que acabou.

Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group

Alta do minério de ferro deve provocar nova rodada de aumentos das siderúrgicas

Na avaliação de analistas, a revisão poderá ser de 8% a 15% para o aço

Chiara Chintão, da Agência Estado




SÃO PAULO - O reajuste no preço do minério de ferro no terceiro trimestre deverá resultar numa nova rodada de reajuste das siderúrgicas. Na avaliação de analistas, a revisão poderá ser de 8% a 15% para o aço. Na distribuição, o presidente da Frefer, Christiano da Cunha Freire, prevê uma alta de 6% a 10%. As estimativas também consideram a elevação do preço do carvão para o período.

Durante a divulgação de resultados do primeiro trimestre, Usiminas, CSN e Gerdau já sinalizaram que vão elevar os preços do aço como consequência das altas esperadas para as principais matérias-primas.

O diretor comercial da CSN, Luiz Fernando Martinez, disse que a empresa negociaria os preços para o terceiro trimestre cliente a cliente.

O vice-presidente de Negócios da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, informou que o porcentual exato do novo reajuste dependerá do reajuste do minério e do carvão, mas deve ser de 10% e 15%.

Na quarta-feira, 26, à noite, em reunião com analistas e investidores, o vice-presidente de finanças e Relações com Investidores da Usiminas, Ronald Seckelmann, disse que a companhia já trabalha com um reajuste do minério de 20% a 30% para o terceiro trimestre de 2010 e reiterou a necessidade de reajustar o aço.

Depois de dobrar o preço do minério, Vale terá novo reajuste de 35%

Com novo reajuste, previsão é que Vale dobre o faturamento este ano; siderúrgicas já se preparam para repassar o aumento de custos

David Friedlander, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Três meses depois de dobrar o preço do minério de ferro, a Vale vai aplicar um novo reajuste na praça. Será um aumento médio na casa dos 35%, segundo apurou o ‘Estado’. O novo preço passa a vigorar em 1.º de julho, seguindo a política de revisão trimestral de preços adotada este ano pela mineradora. Segundo analistas, o faturamento da Vale deve dobrar, fechando o ano em mais de US$ 40 bilhões.

Um quinto de todo o aço produzido no mundo é feito com minério da Vale. Por isso, a decisão da empresa é aguardada com ansiedade. Mesmo sem saber o tamanho do aumento, as grandes siderúrgicas já falavam em repassar o reajuste para seus clientes.

Procurada, a mineradora não quis falar sobre números, mas explicou as razões do reajuste. "Neste segundo trimestre nossos preços ficaram bem abaixo dos preços praticados no mercado à vista da China. Pela atual fórmula de correção, nossa expectativa é recuperar grande parte dessa defasagem no próximo trimestre que começa em julho", afirmou José Carlos Martins, diretor executivo da Vale.

Na prática, a mineradora está correndo atrás dos preços praticados na China, que dispararam este ano. No mês passado, quando a cotação do minério de ferro no mercado chinês bateu em US$ 189,50 a tonelada, a mineradora brasileira vendia seu produto por cerca de US$ 110 - preço fixado por ela para o trimestre de abril a junho. Agora, a empresa quer tirar a diferença.

"O reajuste trimestral é mais justo", afirma Martins. "Até então, os contratos definiam um valor anual e ele não mudava mesmo que o preço no mercado disparasse. Agora, se a cotação do mercado subir, a gente aumenta. Se cair, a gente baixa." O tamanho exato desse próximo reajuste será definido na terça-feira, depois do fechamento do trimestre março/maio. Mas o índice de correção não vai ser divulgado - ele será aplicado automaticamente nos contratos da mineradora.

Recorde. Beneficiadas pela demanda vigorosa da China, as grandes mineradoras nunca ganharam tanto dinheiro. A partir de julho, o preço do minério da Vale sobe de US$ 110 para algo entre US$ 140 e US$ 145 a tonelada. Para se ter uma ideia do que isso significa, antes da crise global que explodiu em setembro de 2008, quando o mundo vivia um boom econômico, a Vale vendia cada tonelada por US$ 80.

"A produção de aço na China aumentou quase dez vezes, mas o país precisa importar minério porque o deles tem baixa qualidade e alto custo. Os grandes beneficiários desse movimento são as mineradoras do Brasil e da Austrália", afirma Claudio Pitchon, diretor executivo do Banco WestLB, responsável pelos setores de mineração e metais na America Latina.

Em razão desse cenário, os analistas projetam resultados animadores para a Vale este ano. Segundo o banco HSBC, o faturamento da mineradora deve crescer de US$ 23,3 bilhões no ano passado para US$ 40 bilhões este ano. Para o Goldman Sachs, o faturamento da Vale deve chegar perto dos US$ 48 bilhões.

Impacto. Os movimentos da Vale produzem impactos fortes também na economia. De um lado, o reajuste no preço do minério de ferro vai para o aço e de lá para produtos de consumo como carros e eletrodomésticos.

O aumento do minério no começo do ano foi apontado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) como um dos principais responsáveis pela alta do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), que subiu 1,19% em maio em relação a abril. O reflexo do aumento do minério na inflação foi usado pelas siderúrgicas, meses atrás, na queda de braço contra o primeiro reajuste da Vale.

Na ocasião, para rebater esses argumentos, a mineradora criticou as siderúrgicas dizendo que, quando o preço do minério despencou, durante a crise, os preços do aço não caíram na mesma proporção. Na opinião da Vale, portanto, o setor teria condições de absorver a alta.

Mas a puxada nos preços da Vale também tem impacto positivo nas contas públicas, especialmente na balança comercial do País. De 2005 para cá, a participação da mineradora nas exportações brasileiras cresceu de 5,9% para 11% no primeiro trimestre do ano.

De janeiro a março deste ano - ante, portanto, do reajuste de 100% de abril -, a Vale exportou o equivalente a US$ 4,5 bilhões. Se as exportações da mineradora fossem expurgadas do cálculo da balança comercial, em vez de um superávit de R$ 890 milhões no primeiro trimestre o País teria um déficit de aproximadamente R$ 3,6 bilhões.