Artigo Época Negócios
O novo que surge do velho
Descobrir regras para fazer rearranjos de coisas já existentes é a tarefa que a disciplina da inovação sistemática se propõe
Por Clemente Nobrega*
Inovação depende de acesso a uma base de conhecimento acumulado. Uma ideia abre caminho para outra, para outra e outra. Esse processo gera mudança em grande escala na ciência, na economia e na cultura e é o tema de um livro que está repercutindo nos meios empresariais: The Nature of Technology – What It Is and How It Evolves, de Brian Arthur, especialista em inovação. Implicação disso (não tratada explicitamente no livro): se o novo vem sempre do conhecido, poderíamos “fabricar” inovação se houvesse um método para recombinar as ideias existentes na base de conhecimento. Isso está acontecendo.
Descobrir regras para fazer rearranjos criativos de forma consciente e deliberada é a tarefa que a nascente disciplina da inovação sistemática se propõe realizar. Olha só: há 10 mil anos, o PIB do mundo era zero. Então, uma tecnologia – a agricultura – habilitou o processo de geração de riqueza. A agricultura veio de elementos que já existiam na paisagem dos humanos da época (terra, plantas, animais) e possibilitou uma explosão de novos arranjos.
O PIB passou de zero ao que é hoje graças ao rearranjo de coisas existentes. O microchip é feito de sílica – areia da praia. O microchip é areia rearranjada. A matéria-prima desses “rearranjos” não são novos materiais, nem pessoas especiais, nem novos processos fabris. São processos mentais: ideias canalizadas na direção certa.
O Cirque du Soleil chegou a uma fórmula inovadora
Entendendo as operações mentais que produziram soluções inovadoras no passado, podemos criar inovação. Exemplo: o best-seller A Estratégia do Oceano Azul diz o seguinte: quer inovar? Pegue os atributos das ofertas existentes e “tire, ponha, aumente, diminua” um ou mais deles. Assim, sua oferta estará num “oceano azul”, livre da competição entre as que têm os mesmos atributos. No caso do Cirque du Soleil, exemplo do livro, eliminaram-se animais e artistas famosos, introduziram-se música, dança, temas, estética apurada; diminuiu-se o número de picadeiros e aumentou-se o conforto da plateia. Mas como é que nós (que não somos gênios, como os fundadores do Cirque) poderíamos ter concebido algo parecido? O problema era: criar um circo com menos custo e mais valor que os existentes.
Uma contradição. Inovar é resolver contradições. Quem resolveu a contradição “cortar custo e aumentar valor” fez como? A base de conhecimento diz que problemas análogos foram resolvidos usando como direcionador um princípio que a inovação sistemática chama de atmosfera enriquecida.
Adicione elementos sensoriais que tornem o ambiente mais estimulante. Pode ser cor, música, odores, mas tem de enriquecer a atmosfera. É um dos princípios usados pela Southwest Airlines para criar um clima agradável em seus voos, por meio de jogos com os passageiros. É o que está por trás da chamada experiência de compra e o que o varejo usa em modelos como os da Starbucks e Victoria’s Secret. Um circo, lojas de café e de lingeries e uma linha aérea. Base de conhecimento compartilhado, certo?
* Clemente Nobrega é físico, escritor, consultor de empresas e autor do blog Ideias e Inovação no site de Época NEGÓCIOS
Artigo Prof. Cabrera - VOCE SA
Avaliação de mim mesmo?
O colunista Luiz Carlos Cabrera mostra como avaliar o seu progresso na carreira e na vida
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group 02/09/2010

Como avalio o meu progresso nos últimos anos? Esta é uma pergunta que um mentor costuma receber e para a qual eu gostaria muito de poder ajudar você, leitor, a obter uma resposta. Para começar, é importante conceituarmos que existem três grandes áreas de progresso: a material, a intelectual e a espiritual. Começando a avaliação pelo mais concreto, que é o progresso material, basta definir um horizonte de tempo — os últimos cinco anos — e verificar o que você acumulou.
Aqui, contam os bens que adquiriu. É como se você estivesse preenchendo a declaração de Importo de Renda, mas com a lembrança de cada vitória e conquista. Já o progresso intelectual complica um pouco. Pense e responda: quantos livros você leu nos últimos dois anos? Nunca me esqueço que, ao terminar meu curso de extensão em administração, em 1975, na University of Southern California, em Los Angeles, nos Estados Unidos, tive o privilégio de ter o Peter Drucker como paraninfo. Ao final da palestra, eu perguntei o que deveria ler para ser um bom profissional na área de recursos humanos.
Avalie seu progresso intelectual, material e espiritual
Ele, do alto de sua sabedoria, respondeu: “Recomendo que você estude muito filosofia e história”. Só depois percebi a profundidade do conselho. Outra medida do progresso intelectual é avaliar se as pessoas à sua volta estão evoluindo. Não existe crescimento intelectual sem compartilhamento. Outra importante característica da sua evolução intelectual é o progresso de suas competências. Quanto maior o desafio, maior a competência desenvolvida. Esteja disponível.
Por fim, vamos falar do seu progresso espiritual. Comece pensando em como você encara os fatos da vida, como entende o seu papel na comunidade e suas atitudes perante o próximo. É uma avaliação difícil, eu sei, mas o mundo moderno está exigindo profissionais que sejam inteiros e íntegros. O primeiro significa estar progredindo material, intelectual e espiritualmente. Já ser íntegro quer dizer ser um só, em qualquer circunstância. Feita a avaliação, a próxima etapa é o plano de ação. Não deixe de fazê-lo. Com isso, certamente seu balanço de 2010 vai ser melhor do que o do ano que acabou.
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group
Alta do minério de ferro deve provocar nova rodada de aumentos das siderúrgicas
Na avaliação de analistas, a revisão poderá ser de 8% a 15% para o aço
Chiara Chintão, da Agência Estado
SÃO PAULO - O reajuste no preço do minério de ferro no terceiro trimestre deverá resultar numa nova rodada de reajuste das siderúrgicas. Na avaliação de analistas, a revisão poderá ser de 8% a 15% para o aço. Na distribuição, o presidente da Frefer, Christiano da Cunha Freire, prevê uma alta de 6% a 10%. As estimativas também consideram a elevação do preço do carvão para o período.
Durante a divulgação de resultados do primeiro trimestre, Usiminas, CSN e Gerdau já sinalizaram que vão elevar os preços do aço como consequência das altas esperadas para as principais matérias-primas.
O diretor comercial da CSN, Luiz Fernando Martinez, disse que a empresa negociaria os preços para o terceiro trimestre cliente a cliente.
O vice-presidente de Negócios da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, informou que o porcentual exato do novo reajuste dependerá do reajuste do minério e do carvão, mas deve ser de 10% e 15%.
Na quarta-feira, 26, à noite, em reunião com analistas e investidores, o vice-presidente de finanças e Relações com Investidores da Usiminas, Ronald Seckelmann, disse que a companhia já trabalha com um reajuste do minério de 20% a 30% para o terceiro trimestre de 2010 e reiterou a necessidade de reajustar o aço.
Depois de dobrar o preço do minério, Vale terá novo reajuste de 35%
Com novo reajuste, previsão é que Vale dobre o faturamento este ano; siderúrgicas já se preparam para repassar o aumento de custos
David Friedlander, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Três meses depois de dobrar o preço do minério de ferro, a Vale vai aplicar um novo reajuste na praça. Será um aumento médio na casa dos 35%, segundo apurou o ‘Estado’. O novo preço passa a vigorar em 1.º de julho, seguindo a política de revisão trimestral de preços adotada este ano pela mineradora. Segundo analistas, o faturamento da Vale deve dobrar, fechando o ano em mais de US$ 40 bilhões.
Um quinto de todo o aço produzido no mundo é feito com minério da Vale. Por isso, a decisão da empresa é aguardada com ansiedade. Mesmo sem saber o tamanho do aumento, as grandes siderúrgicas já falavam em repassar o reajuste para seus clientes.
Procurada, a mineradora não quis falar sobre números, mas explicou as razões do reajuste. "Neste segundo trimestre nossos preços ficaram bem abaixo dos preços praticados no mercado à vista da China. Pela atual fórmula de correção, nossa expectativa é recuperar grande parte dessa defasagem no próximo trimestre que começa em julho", afirmou José Carlos Martins, diretor executivo da Vale.
Na prática, a mineradora está correndo atrás dos preços praticados na China, que dispararam este ano. No mês passado, quando a cotação do minério de ferro no mercado chinês bateu em US$ 189,50 a tonelada, a mineradora brasileira vendia seu produto por cerca de US$ 110 - preço fixado por ela para o trimestre de abril a junho. Agora, a empresa quer tirar a diferença.
"O reajuste trimestral é mais justo", afirma Martins. "Até então, os contratos definiam um valor anual e ele não mudava mesmo que o preço no mercado disparasse. Agora, se a cotação do mercado subir, a gente aumenta. Se cair, a gente baixa." O tamanho exato desse próximo reajuste será definido na terça-feira, depois do fechamento do trimestre março/maio. Mas o índice de correção não vai ser divulgado - ele será aplicado automaticamente nos contratos da mineradora.
Recorde. Beneficiadas pela demanda vigorosa da China, as grandes mineradoras nunca ganharam tanto dinheiro. A partir de julho, o preço do minério da Vale sobe de US$ 110 para algo entre US$ 140 e US$ 145 a tonelada. Para se ter uma ideia do que isso significa, antes da crise global que explodiu em setembro de 2008, quando o mundo vivia um boom econômico, a Vale vendia cada tonelada por US$ 80.
"A produção de aço na China aumentou quase dez vezes, mas o país precisa importar minério porque o deles tem baixa qualidade e alto custo. Os grandes beneficiários desse movimento são as mineradoras do Brasil e da Austrália", afirma Claudio Pitchon, diretor executivo do Banco WestLB, responsável pelos setores de mineração e metais na America Latina.
Em razão desse cenário, os analistas projetam resultados animadores para a Vale este ano. Segundo o banco HSBC, o faturamento da mineradora deve crescer de US$ 23,3 bilhões no ano passado para US$ 40 bilhões este ano. Para o Goldman Sachs, o faturamento da Vale deve chegar perto dos US$ 48 bilhões.
Impacto. Os movimentos da Vale produzem impactos fortes também na economia. De um lado, o reajuste no preço do minério de ferro vai para o aço e de lá para produtos de consumo como carros e eletrodomésticos.
O aumento do minério no começo do ano foi apontado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) como um dos principais responsáveis pela alta do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), que subiu 1,19% em maio em relação a abril. O reflexo do aumento do minério na inflação foi usado pelas siderúrgicas, meses atrás, na queda de braço contra o primeiro reajuste da Vale.
Na ocasião, para rebater esses argumentos, a mineradora criticou as siderúrgicas dizendo que, quando o preço do minério despencou, durante a crise, os preços do aço não caíram na mesma proporção. Na opinião da Vale, portanto, o setor teria condições de absorver a alta.
Mas a puxada nos preços da Vale também tem impacto positivo nas contas públicas, especialmente na balança comercial do País. De 2005 para cá, a participação da mineradora nas exportações brasileiras cresceu de 5,9% para 11% no primeiro trimestre do ano.
De janeiro a março deste ano - ante, portanto, do reajuste de 100% de abril -, a Vale exportou o equivalente a US$ 4,5 bilhões. Se as exportações da mineradora fossem expurgadas do cálculo da balança comercial, em vez de um superávit de R$ 890 milhões no primeiro trimestre o País teria um déficit de aproximadamente R$ 3,6 bilhões.
Pessoas motivadas e felizes garantem maior resultado para as empresas
Com a retomada da economia, 72% dos donos de empresas pesquisadas pelo Sebrae/SP acham que seu faturamento crescerá em 2010, e 71% planejam gastar, principalmente, com a compra de máquinas, equipamentos e reforma das instalações.
A pesquisa revela ainda que, a maioria dos entrevistados (51%) espera aumentar o número de empregados e 80% lançarão novos produtos e serviços no ano que vem. Isto não será diferente em outros Estados brasileiros. Podemos dizer que começamos o ano com o pé direito, certo? Com certeza, mas é necessário lembrar que uma empresa não funciona sem material humano motivado e valorizado.
Muito tem se falado em competitividade, porém pouco tem sem falado no papel das pessoas na busca da mesma. As empresas buscam sucesso, querem aumentar suas receitas e melhorar seu lucro, porém a minoria tem um olhar apurado para aquilo que realmente pode dar lucro para uma empresa, ou seja, “Gente”. Isso mesmo, gente, pessoas, ou como queiram chamar: Recursos Humanos.
Vejo a maioria dos empresários contratando consultores, investindo em tecnologia, comprando carros novos. Mas ainda são poucos aqueles que olham para aquilo que poderá trazer lucro para uma empresa “pessoas motivadas”. Porém, como uma pessoa pode estar motivada para desempenhar sua função, se ela é tratada como lixo, um mal necessário, um custo a mais para a empresa?
Nas minhas experiências como consultor, professor e, sobretudo como funcionário, ouço histórias e me deparo com situações que me causam tristeza. Os gestores acham que pelo simples fato de empregarem uma pessoa, se tornam donos dela (qualquer semelhança com escravidão é mera coincidência), e podem fazer com as pessoas o que quiserem, e utilizam de algumas expressões que nos causam calafrios, como: “Você não é pago para pensar.” “Se você não quer o emprego, tem um monte que quer.” “Você é um custo inviável para empresa.” “Funcionário meu que estuda não serve.”
Agora pergunto: Como alguém pode trabalhar motivado com este tipo de tratamento? A questão é simples de se responder: Impossível! Aquele que trabalha com pessoas deve entender que o principal trunfo de uma empresa são pessoas engajadas, motivadas, envolvidas e que defendem a empresa com unhas, dentes, e, sobretudo com muita inspiração e dedicação. E isso só pode ocorrer se estas pessoas forem respeitadas e tratadas como seres humanos.
Ouça seus colaboradores, peça opiniões, se interesse pelas histórias deles, valorize aqueles que se dedicam e vestem de fato a camisa da empresa, não só os “bajuladores”, mas sim aqueles que acreditam na sua empresa e lutam para que ela seja cada dia melhor.
Faça esta experiência. Pessoas devem ser compreendidas, ouvidas e sobretudo valorizadas, e se você construir estas pequenas redes (que não são difíceis), garanto que a sua empresa vai crescer, se desenvolver, ampliar seu faturamento, diminuir o grau de desperdício, dentre outros benefícios. Pessoas motivadas e felizes darão o resultado que você precisa sem maiores esforços. Elas sabem mais do que ninguém como fazer, quando fazer e para quem fazer, pois afinal, as pessoas são a empresa.
Eduardo Maróstica (Doutor em Administração, Comunicação e Educação. É professor dos cursos de Pós-Graduação do INPG - Instituto Nacional de Pós Graduação e atua como consultor de empresas no Brasil e no exterior).
HSM Online
05/03/2010
Artigo do Prof. Cabrera (EAESP-FGV) na VOCESA
Matando baratas
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Panelli Motta Cabrera e membro do Advisory Board da Amrop International (undefined) 08/03/2010
Um de meus passatempos nas férias é pesquisar livros sobre gestão de carreira de autores menos conhecidos, que estejam escrevendo coisas diferentes e interessantes. Alguns de meus parceiros da Amrop me ajudam nessa tarefa, pesquisando em seus países e nas principais escolas de administração ao redor do mundo.
Neste ano, meu sócio de Cingapura, Tan Soo Jin, recomendou um livro chamado Killing Cockroaches (“Matando baratas”, em português), escrito por Tony Morgan, um ex-executivo americano que hoje é ministro de uma grande igreja protestante, a New Spring Church. Logo de cara o título me chamou a atenção. Na introdução, o autor explica que o título é uma metáfora, mas, em todo caso, oferece uma receita de veneno aos incautos que compraram o livro pensando em se livrar de insetos.
Não perca tempo com coisas sem nenhuma importância
Esse começo já me encantou, pois considero o senso de humor uma absoluta questão de inteligência. A explicação para o título curioso vem logo no primeiro capitulo: Tony Morgan era o presidente de uma empresa estatal de serviços com mais de mil empregados e considerava-se um grande líder. Eis que um dia entra em seu escritório uma senhora gritando que havia uma barata em sua sala. Tony se levanta, vai até a sala da senhora e mata a barata. A moral da história é simples: muitas vezes gastamos tempo com coisas urgentes que não são importantes, como matar baratas.
Essas tarefas, em geral, drenam a nossa energia, tomam nosso tempo, mas não contribuem para a consecução dos resultados que estamos perseguindo. No fi - nal do período, o que será cobrado é o resultado pactuado, e não quantas baratas você matou. As baratas infestam o ambiente de trabalho, são as pequenas cobranças de coisas inúteis. Você tem de cuidar para não passar o dia matando baratas. Um ninho de baratas é a caixa de entrada de e-mails.
Você poderá passar o dia inteiro respondendo a mensagens urgentes, mas não importantes. No fi m do dia, quando for cobrado pelos seus objetivos, vai responder: “Não deu, chefe. Tinha muita barata para eu matar”. Caso queira ver o Tony Morgan no YouTube: www.youtube.com/watch?v=IXHne2QjPlM
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Panelli Motta Cabrera e membro do Advisory Board da Amrop International






